Com esse post, encerro o blog. Não há imutabilidade que me alegre, nem mutação que não me deslumbre.
"Vanitas, vanitatum et omnia vanitas."
Com esse post, encerro o blog. Não há imutabilidade que me alegre, nem mutação que não me deslumbre.
"Vanitas, vanitatum et omnia vanitas."
Bem que eu relutei um pouco
em ouvir bandas novas, de uns meses pra cá. Mas aí assisti a
minissérie Dom
Casmurro (que
foi ótima, salvo engano, foi muito bem adaptada dentro do
possível) e lá tocava uma música linda, diferente, meio
circense.
Dessa música veio uma combinação bem
diferente, trompete, pandeiro, piano, sanfona,
tambores e tamborins e vocais realmente bons. A
banda Beirut apareceu para mim como
uma solução para momentos conturbados, cheios de complicações, onde
é necessária a pausa e calma, a tranquilidade (agora não tem trema,
né, Pasquale?). Engraçado que o disco da música que tanto toca
agora é de 2006 e mais surpreendente ainda é saber que a banda é de
NY, sim, da grande, sofristicada, rica, topo do top, Nova
York. O vocalista
afirma que suas influências ciganas e turcas foram as responsáveis
pela construção do som. Interessante, onde se pensava existir
somente luzes vazias reluzindo, surge um maciço e belo
diamante!
Não temo em nada
indicar Beirut, para quem
quiser ouvir, desfrutar, alegrar-se e melhor, aprender a entender o
que nos faz mover a roda dos sentimentos, o que de melhor temos
dentro de nós mesmos. Se Beirut faz isso, é porque está no caminho
certo, a música deve despertar o melhor em cada ouvinte.

Sem mais parnasianismos, escutem Beirut "Brandenburg" e como dizem os novaiorquinos, 'have fun'!
Melhor do que um
vocalista bom de banda, é uma voz que faz jus à alcunha "banda de
rock". Sandra Nasic
faz isso maestralmente. Com sua força e
timbre marcantes, consegue mostrar que na Alemanha não existe
somente schucruts.. ou salsichões. E sim que o rock na europa vem
se renovando e mostra que nem tudo parece perdido para o nosso tão
amado e mal tratado estilo musical!
Não vou florear muito com
Guano Apes, até
porque os caras são ótimos intrumentistas e Sandra completa,
fazendo um som muito diferente do Evanescence ou
Nightwish (antes
da saída de Tara). Esperem um rock pesado, mas na dosagem certa,
com uma mulher no melhor estilo Maria
Bethânia: sem frescuras, puramente
musical!
Então, como dizia meu querido Obelix, 'Vamos lá, vamos lá'... escutar 'Pretty in scarlet', do Guano Apes...
Comentários maldosos à parte, tenho que
tirar o chapéu pra Reginaldo
Rossi.
Apesar de não ser devota do estilo brega, ouço-o com frequência. Acho que tudo o que faz parte da nossa cultura deve ser conhecido e sim, criticado, mas também elogiado.
Esse cara, canta pra caramba, além de saber cantar em inglês, (raridade no ramo bregístico de
música...
) sabe muito de música brasileira e conhece
o repertório de Beatles, Billy Holly,
Elvis, entre outros, ou seja, não se limita ao cenário do
brega.
Não conheço muito da carreira dele, mas
não sou eu quem vou criticá-lo. Ele venceu na vida fazendo do brega
uma arte. Vejam quantas festas dedicadas à esse estilo, porque
alguns artistas junto com Reginaldo, como Luís Caldas, mostraram que o brega também é bom!
Estou com eles!
Nesse estilo, estão nossas raízes de congado, candomblé, lambada, repente, frevo, calypso, forró, música instrumental nacional e até rock. Tudo junto e misturado, como dizem por aí... mas se for bem aproveitado, pode ser admirado em seu ápice de musicalidade.
Não vou me alongar muito. Peço desculpas, pois não tenho músicas do Reginaldo Rossi aqui, mas mando Beto Barbosa, que apesar de ser de outro Estado, faz a mesma missão de levar o brega a quem quer!
Fiquem com "Adocica", de B.Barbosa...
Nada como os anos 70 e 80 pra nos fazerem
sentir uma felicidade imensa!
O que seria
hoje dos emos sem os andrógenos à la Zig Stardust encarnado por
David Bowie ( o calango inglês)? O que seria das cantoras de
chuveiro que fazem sucesso estrondoso se não fosse Cindy Lauper? O
que seria das músicas alternativas de hoje sem Alphaville, Pet Chop
Boys, Village People, Kraftwerk? E o que seria do dance gingado de
hoje sem o Kool and the gang? Digo mais, o que seria dos milhares
de dançarinos do mundo sem o 'moon walking' do, agora
extraterrestre, Michael Jackson? E ainda tem as travestis
dubladoras, que não teriam emprego se não fosse a Cher, Abba e a
Madonna!
Quem nunca viu e quis dançar com (sou
suspeita pra falar porque sou fã incondicional desses filmes) 'Os
embalos de sábado à noite - Saturday
nights fever- e 'Os embalos de sábado
continuam' -Stain´Alive
-, que tanto influenciaram a música Disco não
só nos Estados Unidos, mas também no resto do mundo. Tanto que foi
nessa época que surgiram Kc and The Sunshine
Band, Kool and The Gang,
Shalamar, Lionel
Richie, James Taylor ,
Cat Stevens, Elton John, Aha,
Roxette, Brian
Adams, e claro, os Bee
Gees, que lançaram nos filmes do John Travolta,
seus clássicos. Se todos dançam Macarena, é devido ao surgimento do grupo
Los del Rio, dos anos 70, assim como
Los Lobos, com La bamba...
Madonna hoje
é uma diva notável, pelo bom gosto e elegância, mas há uns 20 anos
ela era uma cantora gordinha, de maquiagem pesada e nada elegante.
Mas era tão popular que até Cindy
Lauper a imitou descaradamente. Michael Jackson, que já era
um ídolo desde os The Jackson´s Five,
mostrou que realmente, apesar de ser doido de pedra, nasceu com
talento pra dança. Só não cantava com um detalhezinho que marcaria
a sua carreira e de muitos outros, mas bem pequenininho, que até
hoje continua valendo: Veja como há muitos artistas que mal sabem
fazer uma gradação de notas simples, lançando cds e fazendo shows a
rodo... (vide mulheres frutas, Angela Bismark, axezeiros,
funkeiros, cantores de música brega e alguns pop e muitos
emos!)
Não vamos esquecer que no Brasil os anos 70 e 80 foram muito importantes. Vamos esquecer do Ursinho Blau Blau, pelo amor de Deus, prefiro Leo Jaime com a maravilhosa crítica à ditadura, com "Solange", ou Kiko Zambianki com "primeiros erros", o início de bandas até hoje adoradas como o Aborto Elétrico que virou a Legião Urbana, Capital Inicial, Engenheiros do Hawahii, 14 Bis, Roupa Nova. Também foi nos meados dos anos 70 e 80 que surgiou o 'bloco do soul', em BH, onde todos os domingos pessoas se reúnem pra dançar o bom e velho som liderado pelo Sr. James, James Brown...
As calças bocas de sino, danças
coreografadas e posteriormente, as ropuas multicoloridas (lembra da
camisa 'volta ao mundo'???) de jazz misturadas com
jeans, são até hoje importantes para a moda. Mas não falo de moda
de quem trabalha com vestimentas, falo de moda do povo. Se hoje
alguém se anima a usar um vestididinho e uma calça jeans é porque
nos anos 80 se fazia parecido. Ou se um cara usa terno com tênis,
pode ter certeza que há 25 anos atrás já se vestia assim e ninguém
falava que era novidade...
Sem falar nas influências que esses anos
tiveram na cultura. Após a louca década dos anos 60, de
liberação sexual e experimentação em massa de entorpecentes novos,
as duas décadas seguintes serviram pra mostrar a força do povo
(Passeata dos 100 mil, vamos
recordar?) e delinear as mudanças
políticas (vide Jânio Quadros e
a saída do Collor em 1992) e sociais
(veja lá a luta da mulher na igualdade
de salários, que ganhou força em 70, ou o crescimento de estudos
sobre a sociedade e cultura, preenchendo o lugar que antes era
somente de médicos, engenheiros e advogados). A arte como um todo respondeu à necessidade de
mudança, que esses anos pediam. Quem gosta de Chico Buarque deve conhecer
sua fase na ditadura, que creio ser a mais bela dele.
Milton Nascimento é um símbolo desses anos, com suas inúmeras passagens
pelos festivais de Ouro Preto e Diamantina. Lembrem-se que
foi durante essas décadas que a constituição de 88 foi redigida.
Críticas à parte, porque sei o quanto nosso governo é injusto e complacente com erros, o texto
da Constituição de 1988
é realmente belo e até anima os incautos a
almejarem essa justiça e beleza, que tanto é pregada em suas
páginas.
Sou fruto desses anos. Nasci no fim da década de 80 e sei o quanto os anos que passaram são valiosos para o presente. Não vamos esquecer nossas raízes, nem neglicenciar as mudanças que tanto foram e são importantes para que o mundo, apesar dos pesares, seja o que é hoje, como suas tecnologias, facilidades, versatilidades e acessos.
Deixo-os com Los del rio, com
'Macarena'!
ÊÊÊÊÊÊ Macarena, baila tu corpo con
alegria Macarena... haaaiiii.....
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